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Cães e alérgicos: sim, é possível eles conviverem! (02/03/2020)

Ao contrário do que se imagina, a presença do cão na vida de uma pessoa alérgica pode ser positiva e não necessariamente precisa ser evitada. Segundo a médica Maria de Fátia Fernandes, diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), o que se recomendava era o afastamento de uma pessoa com alergia do convívio com um cachorro. Hoje, estudos mostram que isso não é mais necessário, pelo contrário, pode estimular o organismo a se defender de outras alergias.

Segundo ela, é preciso que a família tome alguns cuidados básicos com os animais em caso de uma criança ser alérgica a pelos de cachorros. "No caso de crianças terem testes de alergia confirmados, é recomendado que os animais não tenham tanta intimidade com a criança, como ficar no quarto, na cama ou perto das roupas".

Os principais sintomas que uma pessoa tem quando é alérgica ao pelo do cão são urticárias de contato, asma e rinite. Recomenda-se que se escolha animais de pelos curtos, que a criança evite beijar e trazer o cão perto das vias respiratórias e que se mantenha os pelos dos animais sempre limpos, evitando o acúmulo de ácaros na pelagem.

Teoria da Higiene 

Maria de Fátima disse ainda que os cães podem ajudar a reduzir os casos de alergia. "Os trabalhos mais recentes mostram que, se a pessoa (alérgia ou com potencial de ser alérgica) tiver contato com animal doméstico, terá chance de desenvolver menos alergia. Isso se explica pelas bactérias que os cães deixam no ambiente, que não provocam doenças aos humanos, mas estimulam positivamente o sistema imunológico."

Para o médico João Ferreira de Melo Júnior, responsável pelo laboratório de alergia em otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas, os cuidados com pessoas que já possuem diagnóstico de alergia a pelos de cães deve ser maior. "A Teoria da Higiene, que trata, de forma simplificada, da aproximação de cães a pessoas com alergia, ainda não foi comprovada e não se mostrou eficaz ainda".

Crianças: cuidados e efeito psicológico

Se a criança for alérgica ao ácaro, por exemplo, o cuidado será apenas o de se evitar que o pelo do animal armazene os ácaros. "Existe um balanço entre a parte do sistema imunológico que produz alergia e a que produz imunidade. A alergia é uma reação exagerada do organismo", afirmou Maria de Fátima.

As crianças com predisposição a ter alguma alergia, podem diminuir a incidência de doenças alérgicas em contato com animais de estimação, como o cão, ainda quando bebês. "São estudos ainda em andamento, mas que levam para essa conclusão", disse a médica alergologista.

A presença do cachorro na vida de uma criança pode desenvolver uma estabilidade emocional. Isso é positivo, pois o fator psicológico é um agravante do quadro de alergia. Se a criança estiver desequilibrada psicologicamente poderá ter mais crises alérgicas. Apesar disso, se ela já tiver indicativos de que tem alergia ao pelo do cachorro, o ideal é o afastamento. Se isso não for possível, o animal terá de ser mantido limpo, evitando o contato da criança com o ácaro, por exemplo, e diminuir o convívio com o cachorro.

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