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Alimentar cães com carne crua aumenta risco de contaminação (22/11/2019)

Segundo pesquisa realizada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), alimentar cães com carne crua aumenta o risco de contaminação por bactérias. Durante o experimento, patrocinado pela própria Universidade, e com duração de dois anos, fezes de cães alimentados com carne in natura apresentaram elevada concentração das bactérias Salmonella spp, Escherichia coli patogênica e Clostridium difficile. Todas possuem potencial para causar infecções em humanos.

Estudo comparou cães com diferentes dietas

Para realizar a pesquisa, foram analisadas as fezes de 60 animais alimentados com carne crua e de 192 alimentados com ração, todos de Belo Horizonte e região metropolitana.

No caso da Salmonella spp, os cientistas se surpreenderam ao encontrar número 28 vezes maior da bactéria excretada pelos animais com dieta de carne não cozida ou assada em relação aos outros. O perigo de contaminação, de acordo com a pesquisa, independem de raça, idade ou se o animal é fêmea ou macho.

Risco a humanos

Três pesquisadores da UFMG participaram do estudo. "Por mais que você tenha cuidado, o cão vai ter contaminação no ânus, ele lambe o corpo, senta no sofá, não fica restrito às fezes. O proprietário pode adquirir algum problema de saúde indiretamente", explicou Rodrigo Otávio Silveira Silva, coordenador dos trabalhos.

"O centro de controle de doenças dos Estados Unidos e a associação veterinária mundial de pequenos animais estão recomendando não dar carne crua. Não existe nenhuma comprovação na literatura mundial sobre benefícios da carne crua e, por outro lado, há vários estudos descrevendo os malefícios."

Carne no lugar da ração

Para entender o motivo de darem carne crua a seus cães, a pesquisa entrevistou pessoas da Grande BH. No grupo dos que oferecem o alimento sem processar, 70% disseram acreditar ser mais natural e, por isso, optam por esse tipo de dieta. Mais da metade - 6 em cada 10 - informou ter feito essa escolha há menos de um ano, confirmando a tendência observada em outros países, segundo o estudo. Entre os optantes por ração, metade dos participantes do estudo admitiu pensar em trocar a dieta com ração por carne crua.

O estudo aponta ainda que 30% dos que não dão ração abrigam na mesma casa ao menos uma pessoa com alto risco de contaminação pelas bactérias encontradas nas fezes dos cães alimentados com carne in natura - menores de cinco anos, idosos, gestantes, transplantados, portadores de HIV e lúpus. Essa informação acende um alerta, diz o pesquisador, porque as três bactérias encontradas nas fezes caninas se mostraram extremamente resistentes a antimicrobianos utilizados para tratamento das possíveis infecções.

Cães não são lobos Parte da insistência em não mudar a dieta para ração ou carne processada deve-se a crenças equivocadas sobre os cães. Domesticados há mais de 10 mil anos, eles sofreram alterações nas enzimas do trato gastrointestinal e não são carnívoros, como muitas pessoas acreditam, mas, sim, onívoros, ou seja, podem processar diferentes tipos de alimentos. A ingestão de proteínas é importante, porém, não com carne crua, dizem os especialistas. Além disso, a ancestralidade dos caninos ligada aos lobos também causa confusão. "O lobo na natureza faz ingestão de carne crua, mas ele está solto, vai defecar num ponto, vai se movimentar, nenhum ser humano vai entrar em contato com ser humano logo depois", explicou Silva.

Fonte: uol.com.br
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